16 julho, 2010

Sentada no Viaduto

Preciso dar um jeito nessa vida
Mudar o armário ou o cabelo não vai adiantar
Mudar de emprego ou de cidade quem sabe
Mas pode também, de nada adiantar
O que é preciso mudar?
Sentada no Viaduto
Os sentimentos, os amores as amizades? 
Não
É preciso plantar
Novos sentimentos, novos amores e novas amizades
Mas se não encontro uma muda sequer de amor
Então como mudar, como plantar?
Os espaços estão vazios
Mas as ruas estão cheias de carro
De gente atormentada
Que assim como eu
Ficam a pensar
O que é preciso mudar
Fugir pro mato era tudo que precisava
Mas de nada ia adiantar
Os espaços vazios iriam me acompanhar
Triste realidade de quem vive em grandes cidades
Triste realidade de quem procura a felicidade
Triste realidade de quem deseja se multiplicar.
Triste realidade de quem não muda nunca.

Gí Leite (Jul. 2010)

28 junho, 2010

A te esperar

Pensei no tempo
E era tempo de mais
O tempo que te espero
As horas não podem contar
Ouvir sua voz a repetir
Pensando
As frases ditas em noites de luar
Trilha sonora Ivete a embalar
E meu coração sem direção
Mandou você p’outro lugar
O tempo cruel como é
Me fez te amar,
E te esperar sem perceber
Que em todo esse tempo
Você se refez
Outro caminho trilhou
E eu aqui fiquei
No meu caminho só a andar
Pensando no tempo
Que é tempo de mais
Mas nunca de mais
Pra quem deseja amar
Uma vez mais

25 junho, 2010

Um Voo

Lá do alto eu posso ver o azul
Não sei se é céu, não sei se é mar
O azul anil se une
Nesse momento em minha mente
Recife
Mil e uma palavras voam
Mar, amar
Céu, seu
Querer, viver
Estar, voar
Passa o João, passa o José
Passa também aquele que nem
O nome eu sei dizer
Passa as possibilidades fantasmagóricas
De uma cabeça atormentada
De tanto azul anil
De tanto Mar, amar
Chegou a hora de pousar
Terra firme
Os enigmáticos pensamentos
Chegam ao fim
Agora não mais céu, não mais mar
Agora ser e quem sabe amar

Gí Leite (Mai. 2010, retornando de Recife)

22 junho, 2010

Soneto ao Primeiro Amor

"O amor é imortal" 
(Concurso de Soneto 8ª Série de 1999)


Na tentativa de te esquecer
Me perdi na escuridão sem fim
Primeiro amor
Essa escuridão foi resultado da luz 
Que se apagou quando te perdi
Ai então percebi
Eu sei que meu amor é imortal
E ví diante de mim o fim do mundo
Sem você perto de mim
Não sei o que senti, mas já decidi
Eu sei que meu amor é imortal
Hoje sei, não foi a escuridão 
Nem o fim do mundo
Fui apenas descobrindo 
Que esse amor era só o primeiro
Mas continuo na certeza
Eu sei que meu amor é imortal.
Qualquer amor que sinto
É imortal.






Gí Leite ( Set. de 1999)

21 junho, 2010

O Mistério da Vida

Qual será o Mistério da Vida? 
Ah! Se pudessemos descobrir
Desde de que o mundo existe
Somos parte de um ciclo constante
Nascemos, crescemos, vivemos
Reproduzimos e morremos.
Morremos, 
Porque temos tanto medo desta 
Passagem do ciclo, 
É tão natural quanto nascer. 
Quando pensamos racionalmente
Não temos motivos para temer, 
Mas quando o sentimento vem a tona 
É difícil não temer, perder quem amamos. 
A diferença entre nascimento e morte (os extremos da vida) 
É que o nascimento traz alegrias, comemorações 
A morte traz dor, tristeza e muita saudade. 
Na verdade acredito que a humanidade 
Jamais deixará de sofrer com esta passagem da vida
Então eis a conformidade
A aceitação desta passagem.


Gí Leite (Nov. de 2001)